Artes Liberais versus Educação Progressista


De Robert Stacey
Traduzido por Andrea Patrícia

As Sete Artes Liberais: Gramática, por Cornelis Cort, 1565


Nota: O que o autor coloca no texto abaixo, faz todo sentido também para nós aqui no Brasil. E os males da escola pública são em grande parte também os males da escola privada, pois o problema não está em ser "gratuita" ou paga, mas sim no sistema obrigatório, prussiano, materialista, etc.. Os grifos são meus.

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Pesquise na web e você encontrará um grande número de “propósitos de educação”: A educação nos permite desenvolver ao máximo. A educação cultiva a mente humana com valores e princípios. A educação nos ensina a pensar e analisar o mundo. E muitos mais…

Mas mesmo aquelas insípidas trivialidades excedem em muito a realidade da educação moderna americana. As escolas públicas de hoje não fazem essas coisas. As escolas públicas são, de fato, a prole natural do movimento de Educação Progressista. John Dewey, autor e fundador do movimento, não previu altos propósitos. Pelo contrário. Ele construiu uma teoria da educação que via crianças – produto das escolas públicas – como engrenagens na máquina. Não pessoas feitas à imagem de Deus, mas futuros trabalhadores na ordem socialdemocrata. Ele enfatizou a igualdade e não a liberdade [1]. Os alunos precisam se encaixar no padrão educacional, e não o contrário. O materialismo estava no centro de sua filosofia. As pessoas, incluindo os estudantes da escola, são simplesmente matéria, e a matéria pode ser moldada, modelada e manipulada em qualquer forma necessária. Era um processo científico para Dewey. Quantifique adequadamente o processo educacional e você pode produzir um suprimento infinito de trabalhadores uniformes.

Lamentamos a ausência de honra e coragem em nossa sociedade, o egoísmo chocante que testemunhamos diariamente. Mas, se formos honestos, devemos admitir que essa condição não é um acidente. A Educação Progressista produz o que C.S. Lewis chamou de “homens sem peito” conforme planejado. Se queremos um tipo diferente de cultura, precisamos de um tipo diferente de educação.

Uma das marcas da Educação Progressista é a institucionalização da aprendizagem. Os estudantes se tornam cada vez menos humanos. Eles são conduzidos em vez de nutridos. A Educação Cristã Clássica (CCE= Classical Christian Education) reconhece os dons e atributos únicos e dados por Deus de cada criança. Provérbios 22 diz: “Ensina à criança o caminho que ela deve seguir…”. Note que Salomão diz o caminho que “ela” deve seguir… um caminho único para ela. Não espremido em algum padrão institucional generalizado.

A educação progressista também é profissional. Ou seja, o objetivo é produzir uma ampla oferta de trabalhadores para diversas tarefas servis em toda a economia. A educação clássica é muito mais que profissional. Pense sobre o que significa “liberal”, como nas Artes Liberais – do latim para “livre”. É a educação que um homem ou uma mulher livre precisa para viver com responsabilidade e tomar decisões sábias. É mais do que a capacidade de conseguir um emprego, é a base para uma vida boa e virtuosa.

Obviamente, a visão progressista da educação pública é secular. Deus não tem lugar na educação pública. Em vez disso, de alguma forma as pessoas devem ser "neutras" sobre questões de valor transcendente. A CCE é baseado no fundamento tripartido da Verdade, Bondade e Beleza. Cada um deles, por sua vez, está enraizado no eterno, no transcendente. A educação clássica nos leva para fora de nós mesmos e para o reino do divino.

Além disso, a filosofia educacional de Dewey era altamente socialista. Dewey era um membro orgulhoso do Partido Socialista Americano e acreditava que a educação financiada pelo governo poderia mover o país numa direção socialista. Sua filosofia educacional serviu aos maiores fins do socialismo em sua opinião. A CCE serve a muitos fins diferentes. Em última análise, a CCE é uma empresa que serve o Reino. A educação nunca é um fim em si mesma. Sempre pergunte a si mesmo: educação para quê?

Finalmente, a Educação Progressista é sobre treinar meninos e meninas que saibam como seguir [2]. A filosofia estatista de Dewey exigia uma cidadania passiva, e seu modelo educacional procurava manter os alunos focados em si mesmos e em seus interesses mais restritos, em vez de focar em preocupações sociais mais amplas. O modelo de educação clássica está mais preocupado em ajudar os alunos a se tornarem capazes de tomar decisões em sua comunidade e em suas famílias. Líderes que ajudam a trazer mudanças positivas em sua cultura. Tomadores de risco que não têm medo da inevitável incerteza e do desconhecido. E criadores que podem descobrir novas soluções e articular a beleza de novas maneiras.

Quando você realmente começa a considerar as alternativas, a escolha entre o Progressismo e a Educação Cristã Clássica não é difícil. A tarefa diante de nós é simplesmente aumentar as oportunidades para as famílias desfrutarem dos frutos das Artes Liberais.

Original aqui.
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Notas da tradutora:

[1] Muito menos a liberdade como ensinada pela Igreja Católica. Liberdade para buscar Deus em primeiro lugar.
[2] Ou seja, ‘gado’.

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